A preguiça intelectual prefere chamar de gospel tudo aquilo que é
confissão evangélica na cultura brasileira, sem se dar conta de que bem antes
da grife existir já havia uma Igreja. Certamente, quando falo “Igreja” não
penso em templos e capelas apenas, mas, sobretudo em pessoas que experimentam o
Evangelho na vida.
Os preguiçosos ignoram: a tal categoria de mercado ainda não chegou
aos trinta. Fazem pouco caso da comunidade de fé da qual pertencemos. Nossos
pais nos legaram uma família de dois milênios. Eles atravessaram gerações,
errando e acertando, e chegaram ao Brasil há mais de quinhentos anos! Então,
que influência é essa, de fato, na formação do nosso país?
É preciso ver essa
herança sem as lentes embaçadas da indústria do entretenimento, para além dos
limites religiosos e acadêmicos, aproveitando as diversas cores e linhas
denominacionais que de fato ajudaram a formar essa grande e singular obra de
tapeçaria que hoje é pisoteada pela idealização de um Brasil sensualizado,
trapaceiro, exótico, aristocrático, místico, racista, bêbado e baderneiro. A
preguiça os impede de ver além do clichê. Estamos puxando esse tapete…
Eu chamo você para ver de outro ponto. Te convido a abrir outras
janelas. A duvidar do que lê nos jornais. A duvidar dos livros de sociologia.
Proponho aqui uma mudança na abordagem do que é identidade brasileira.
Nos últimos cem anos e, principalmente, depois da semana de arte
moderna (1922) essa abordagem era dada por uma elite não cristã e anticristã,
que olhava para os crentes como “os outros”. E se pedíssemos agora para “os
outros”, nós, os crentes, que construam essa abordagem; qual brasilidade seria
contada por esses que creem? Como seria o Brasil de dentro “dos outros”?
Vejo os crentes sendo violentados covardemente pela lógica de
entretenimento religioso, por um lado, e pela censura aristocrática e hipster
no front oposto. É pela liberdade deles
que grito. Grito por mim, em nome dos nossos pais, em respeito a sua herança e
investimento. Grito inspirado em Cristo, instigado por Cristo, que não se
dobrou nem diante da fúria dos sacerdotes cegos e corruptos, nem muito menos
diante do governo tirânico e opressor daquela elite romana. Nem preciso falar
de como Ele tratou os gregos… Grito a brasilidade de quem segue o Cristo, de
quem voluntariamente se doa, de forma autêntica, sendo coautor desse movimento
de fé, esperança e amor no meio do mundo. Movimento que alcançará os nossos
filhos – se Ele não voltar antes – os brasileiros dos outros. Os outros brasileiros de nós mesmos!
Fonte: Aqui.